Seu Lobo

Seu Lobo
Ele tá vindoooo! Uhauuuu!

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Zagueira se deita e o jeitinho deu errado


Pouca gente percebeu. No jogo Brasil x EUA na copa de futebol feminino, na Alemanha, o Brasil recorreu à artimanha - menos arte do que manha -  e se deu mal. O indefectível jeitinho brasileiro, aquela malícia má mesmo, que busca enrolar, ludibriar, roubar, tudo o que for possível para o resultado. Ainda não conheço bem os nomes – e nesse caso, melhor não – pois uma das nossas zagueiras, para ganhar tempo ilicitamente, simplesmente tchibungou no chão (tchibungar no sertão é mergulhar no açude). Caiu feito uma morta, na pequena área, fora do lance, sem ninguém perto, para simular uma contusão.  Isso no segundo tempo da prorrogação, há poucos minutos do final. Cada segundo é precioso nessa hora, então vamos surrupiar alguns, fazendo uma cerinha. Faz parte – dirão todos –  Qual é o problema?  Pára o jogo, juíza vem correndo pra verificar, espera a “morta” se levantar, nada. Cutuca,  nada. Entra a maca, spray pra cá, massagem pra lá, pega daqui, pega dali, põe finalmente na maca. Assim que a maca sai do campo, a “morta” pula que nem um gambá – a maca ainda alta – e sai em disparada, lépida e faceira, para a lateral do campo pra voltar pro jogo.   O público ficou perplexo!  Que-qué-isso, minha gente! O estádio inteiro vaia, vaia, vaia bem alto, uma vaia ensurdecedora e demorada!  A morta viva, nem pixite, cara mais cínica.

A simulação foi tão acintosa e revoltante que a juíza se zangou e soltou as canecas: passou um cartão amarelo na esperta e acresceu TRÊS MINUTOS no tempo!  O resultado?  Acabou o tempo normal, Brasil 2x1. Passou um minuto, Brasil 2x1. Passou outro minuto, Brasil 2x1. Já no meio do terceiro minuto, gol dos EUA: 2x2!   Nos pênaltis, perdemos.

Não, não perdemos nos pênaltis. Perdemos na esperteza, na manha, na falta de vergonha, no jeitinho que faz parte, na enrolação, no engodo, no roubo. “Todo mundo faz, faz parte, é do jogo”.  Eu te juro, quando vi aquilo, fiquei foi com vergonha. Me senti vaiado por aquela multidão, como quem pego no flagra.  Te juro, também: lavei meu peito com o gol dos EUA justo no meio daquele terceiro minuto! Sou brasileiro, sim, adoro futebol, mas “ainda tenho um pouco de orgulho em mim”, como diria RC.  Fiquei triste pela derrota, claro. Mas achei foi bom aquele gol dos EUA, juro.  Toma!

Pronto, podem jogar pedras.

sábado, 16 de julho de 2011

Por que as tampas estão voando?


Trabalhei na CEMAR (Companhia Energética do Maranhão) como engenheiro eletricista por cerca de 15 anos nas décadas de 1980/90. Na época eu tinha uma militância sindicalista atuante, bastante atípica para um engenheiro. Essa militância entretanto não me alinhou a todas as demandas do sindicalismo, por exemplo, quanto à estatização. Nesse tema divergi, e muito. Escrevi textos e fiz palestras na empresa defendendo a privatização no setor elétrico, siderúrgico e de telecomunicações.  Apesar disso, em 1989, cheio de ideais, militei na campanha de Lula. Minha filha Luciana, então com 6 aninhos, cantava o “lula-lá” na hora de eu votar. “Não posso repreender uma criança de 6 anos, vocês hão de convir” – respondeu a mesária aos fiscais de Collor na seção eleitoral.  Lula perdeu. Collor, eleito, deu início ao processo de desestatização das empresas brasileiras. Mas  foi  “impichado” dois anos depois.  Lutei de novo por Lula em 1994, mas, nova derrota , dessa vez para FHC.  Então vieram as privatizações “de com força”.

Independente da forma como foram feitas – passível de críticas – tinham que ser feitas. E esse crédito tem Collor e mais ainda FHC.  Em artigo que publiquei na época no jornal O Estado do Maranhão, disse que o grande desafio do Estado brasileiro seria suprir a sua deficiência como agente regulador. Defendi que esse era o papel do Estado, onde ele tinha a obrigação de ser forte.  Década e meia depois, percebo que esse desafio está longe de ser vencido.

No Brasil o modelo tarifário dos serviços públicos concedidos sofreu uma alteração brutal, a partir da Constituição de 1988,  saindo do modelo da tarifa pelo custo para o da tarifa de mercado. Nossa matriz elétrica, predominantemente hidráulica, que  fornece energia velha de baixíssimo custo (nas usinas hidráulicas já revertidas), propiciaria tarifas sensivelmente mais baixas. Mas o novo modelo de tarifa de mercado nega esse benefício à sociedade. Resultado? Tarifas altamente lucrativas para as empresas. E em resposta? Negligência na manutenção dos sistemas, baixos indicadores de desempenho, tampas de bueiros voando pra todo lado.  E quem é o responsável por tudo isso? O Estado brasileiro em sua função regulatória. Não há uma única agência regulatória brasileira que funcione a contento. A regulação setorial é uma atividade técnica por excelência. A contaminação por “quadros políticos” só enfraquece o que já não era forte. ANAC, ANTT, ANEEL e outros “ARs” transformaram-se, antes de tudo, em fóruns de interesses em disputa. Enquanto não mudar a forma de fazer gestão pública nesse país nada muda.  A profissionalização das “ARs” é uma demanda imperiosa se queremos ser uma nação que respeite seus cidadãos.

Especialistas dizem que a maioria das explosões de bueiros no Rio de Janeiro são por causa da presença de gás nas galerias.  As tubulações antigas, sem manutenção e renovação,  correndo em paralelo com as instalações elétricas subterrâneas, transformaram o Rio num campo minado. As instalações elétricas, por sua vez, também estão sem uma manutenção preventiva decente há décadas.  Agora não é possível corrigir de imediato. Agora é o caos. É apagar incêndio.  Agora é desviar das tampas.  E multas que nunca são pagas.  Que situação!

terça-feira, 5 de julho de 2011

Receita Fedoral – o fedor da fiscalização eficiente só para os fracos



Um amigo me conta de um médico que teve dois filhos fora do casamento. Em vez de obrigar a mãe a recorrer à justiça para obter a pensão, o doutor resolve assumir suas obrigações paternas de bom grado. Passou a dar mensalmente o valor combinado de comum acordo com a mãe das crianças, obtendo os respectivos recibos. Filhos devidamente registrados e a paternidade reconhecida em cartório. Na declaração de imposto de renda, o doutor lança o valor como pensão. Certo?

Errado! A Receita Federal chama o doutor, depois de 15 anos, e declara não ser legal esse desconto. Teria que ter base judicial. Teria que ter sido determinado pela justiça!  De nada valeram os recibos assinados pela mãe das crianças. De nada valeram as certidões de nascimento. Não adianta chamar a mãe para confirmar o recebimento e o acordo. Como a Receita só pode cobrar retroativo a 5 anos, fez o cálculo e determinou o pagamento de R$ 60 mil reais de diferença de impostos, incluindo multas e juros. Toma, doutorzinho! Quem manda tu ser fraco? (redação autorizada pelo MEC).

É, meus amigos! Enquanto isso, o presidente do Corinthians evoluiu seu patrimônio, de uma banca de verduras na CEASA até tornar-se um milionário. Usa dezenas de laranjas para distribuir seu patrimônio. Tem apartamento dele, de alto luxo, no nome de gente que não tem renda nem pra tomar um taxi. Noutro exemplo, deu na TV que o apartamento alugado por Palocci em SP está em nome de um pobre coitado desempregado que nem sabe que Palocci existe. Cadê a fiscalização da Receita? Cadê a malha fina para estes? Como imóveis caríssimos são adquiridos por laranjas sem renda?

Receita Fedoral, de fedor. Tá fedendo mesmo!

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Esperança x Medo: apostem suas fichas.



Estamos perdidos. Perdemos a guerra. A guerra contra as drogas, contra a violência, contra a corrupção. E parece que estamos perdendo a última guerra, a da esperança.  Quando o projeto político do presidente “nunca antes” venceu, há 9 anos, um trovão ressoou de norte a sul: “A esperança venceu o medo”! 53 milhões de votos juntaram-se num grito de liberação de uma esperança incomensurável. Enfim a oposição ideológica chegava ao poder, apenas 20 anos após a ditadura. O discurso de posse do presidente eleito foi uma peça brilhante! O povo celebrava nas ruas, reportagens nas TVs do mundo inteiro mostravam a façanha da ascensão do operário sindicalista de esquerda. O prato, o queijo, a faca na mão e a vontade de cortar. Não faltava nada!

Faltava!  O sapo barbado de esquerda virou o príncipe da grande mídia. Na sedução do poder o discurso de posse foi deixado de lado. Em seu lugar entrou o projeto de manutenção do poder. Em vez de usar a força popular que o elegeu como respaldo para pressionar o Congresso a aprovar as reformas necessárias, o príncipe midiático preferiu alianças com o que há de mais execrável na política brasileira. Dirceu,  o estrategista do Araguaia, entra em cena e idealiza a bolsa “minha família política no Congresso”, apelidada de mensalão – pode acreditar: pagamentos mensais para que deputados votassem a favor do governo!  Companheiros em massa são chamados para os cargos “de confiança” em todos os escalões, muitos deles incompetentes, corruptos e aloprados.

Houve avanços? Claro que sim. Muitos. Mas a um preço tão grande que chega a anular o efeito deles. Porque avanço tem que se dar no campo político. Não adianta avançar em projetos sem apoio político autêntico. E autenticidade não se compra, se obtém no campo da ética. E, nesse campo, fracasso total.

Em 2010, findo o primeiro ciclo duplo do projeto tido originalmente como popular, o povo, sem alternativa, teve que optar pelo menos pior, a continuidade, ainda em busca da esperança quase perdida. Pela primeira vez uma aliança de esquerda conta hoje com folgada maioria nas duas casas do Congresso. Mas uma maioria sem força moral, frágil, volúvel, construída na barganha.  O novo governo continua a andar de lado, patinando na ética, perdido na articulação política (expressão culta para a velha prática do toma-lá-dá-cá) mas, agora, sem nem a sombra do apoio popular do início.

Conversando com um pequeno empresário essa semana ele me disse: “Amigo, perca suas esperanças. A coisa tá tão podre que não há a menor possibilidade de mudança agora. Vamos ter que morrer, nossa geração, a próxima, a seguinte, e aí, talvez, da 4ª geração pra frente, possa haver esperança de novo”.  Fiquei estupefato!  Será?  Minha esperança ficou por um fio. Alguém aí me lança uma boia!

Caos e cinismo



Essa semana estava vendo na TV o noticiário. Rapaz de 18, ex-menor com passagem nas febems renomeadas da vida, sem carteira de motorista, rouba carro, atropela e mata casal em calçada em SP. Homem morre dentro de ambulância depois de perambular por hospitais sem vagas de uti no Rio. Aluna adolescente esfaqueia e mata colega na sala de aula no Ceará. O noticiário segue com casos de pedofilia, prostituição infantil, redes de turismo sexual, gravidez na adolescência, abandono de bebês, crimes agrários, trafico de drogas, contrabando de armas, etc. Depois entra uma reportagem onde aparece o ex-presidente Lula com o seu indefectível bordão “Nunca antes na história desse país...”, enquanto a “presidenta” lista as conquistas de seu governo.  Nada de mais. Tem sido assim todos os dias. Variações sobre os mesmos temas: caos e cinismo.

Saúde, educação, segurança, para aonde a gente se vira é o caos. É inacreditável que um país do tamanho do Brasil e com tanta riqueza chegue a esse ponto.  O discurso político é uma pérola de cinismo, a propaganda partidária irritante. Os que estão no poder mostram um país das maravilhas que só eles enxergam. Os opositores mostram as mazelas e dão prontamente a fórmula da solução. Não há opção de mudança. Tá tudo cinza. O idealismo fenece diante da dura realidade. A lista dos políticos disponíveis parece uma piada. Algumas das nossas maiores lideranças políticas são simplesmente bandidos e criminosos. O que restava de sério – o judiciário – está se mostrando podre. Nos Estados os desembargadores – que antes representavam supostamente uma reserva ética – hoje, com exceções cada vez mais raras, são flagrados em nepotismo cruzado, vendas de sentenças, fraudes de concursos, engavetamento de processos, defesa dos poderosos. Avacalhou geral. O Ministério Público e o CNJ lutam quase em vão para restabelecer uma ordem mínima. Até o STF derrapa, soterrando a ética debaixo de centenas de páginas de erudição jurídica.

Que fazer? Sinceramente, nem sei mais o que dizer. Alguém aí sabe?

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Ocasião adequada para o erro!




Ainda sobre a polêmica do livro do MEC “Por Uma Vida Melhor”, que libera as pessoas da angústia de querer falar sempre certo em todas as ocasiões.  Trato aqui da reação de alguns acadêmicos especialistas (com ironia) que saíram em defesa do MEC e do Ministro Fernando Haddad.

Advinha qual o argumento? Dou um Sonho de Valsa!
Preconceito! Isso mesmo, esse é o argumento! Tudo agora é preconceito nesse país. “Nunca antes na história desse país... etc., etc...”. 

Transcrevo aqui a crítica de um dos especialistas (e aqui, por favor, sem ironias), obtida da lista de discussão do HISTEDBR, da Unicamp (http://www.histedbr.fae.unicamp.br/)
A crítica é uma resposta ao vídeo do jornalista e poeta Álvaro de Farias. No vídeo o poeta faz uma crítica fraca, rasa, sem muita consistência, indignada e um tanto agressiva, centrada apenas na demonização do Ministro, como se ele fosse pessoalmente o idealizador do livro e o patrocinador da iniciativa. Se quiser, veja o vídeo em: http://mais.uol.com.br/view/85r7d735pwrw/poeta-brasil--ministro-da-educao-que-ensina-ignorncia-04028C1C3664D4A91326?types=A.   Mas, vamos em frente.

O post da especialista responde:

“Colegas!
Discordo do que foi falado pelo "poeta"(quem é ele? é professor? é educador?) em vários pontos. Porém, o que achei mais grave é a informação errônea apresentada: os livros não foram distribuídos para escolas de ensino fundamental e médio. O livro em questão (Por uma vida melhor) está na lista para escolha dos livros didáticos da Educação de Jovens e Adultos.

Quem conhece as ideias de Freire sabe que para esta etapa de ensino é essencial a problematização da realidade do educando!

Em anexo encaminho, para os interessados, a cópia da página polêmica do livro. Notem que após a problematização são elencadas as normas da língua padrão (fato que nenhum dos "críticos" observou em seus calorosos discursos).

Para quem tiver maior interesse no assunto, abaixo o link para uma notícia com a explicação do ministro Haddad:

http://www.pedagogia.seed.pr.gov.br/modules/noticias/article.php?storyid=388


Paro aqui, depois continuo.

É curioso: para argumentar contra um suposto preconceito a especialista inicia com um!  Vamos lá:

1-Poeta? Que poeta? Fala sério! Onde ele fez pós-graduação em Poetagem? É professor? É educador? Quem é ele para emitir opinião num assunto tão especializado? Que absurdo? Ele conhece Paulo Freire? Só quem conhece as ideias de Paulo Freire (nós, os especialistas!) pode entender que se trata do “método da problematização”.

Ah, tá! Método da Problematização! Claro, seu jumento! O que tu intende disso, cavalo?

2-Mas, o que a postante achou mais grave?  “Não, o livro não é destinado ao ensino fundamental nem ao médio não. É para a EJA”. Puxa, mas que erro grave! Não é grave não: é gravíssimo! Poeta, presta atenção no selviço, rapá! As nossas crianças e jovens matriculados regularmente no ensino fundamental e no médio estão salvas! Quanto aos jovens e adultos, que perderam o bonde da escola, ah, esses contam com o Método da Problematização!

3-Agora vamos ter uma aulinha sobre o Método da Problematização com o Ministro Haddad, no link fornecido no post:

· “Os livros didáticos são avaliados por 192 comissões de especialistas de 10 universidades federais, sem qualquer viés político e nenhuma interferência do Ministério da Educação” – Bem, se é assim, pelo menos nesse caso tamo perdido, e Haddad tá salvo! Por que, adispois de passá por 192 comissões de especialistas de 10 universidades, ainda saiu assim, o que podemu dizê, nois coitado que num intendemu nadica de nada de educação? E, claro, quem é o Ministro para passar por cima de tantos especialistas? Ele seria trucidado, não é mesmo? Tá tudo pobrematizado!

· Haddad continua: “A obra é dedicada à educação de jovens e adultos. A autora fala para pessoas que perderam o bonde do ciclo educacional e que muitas vezes apresentam dificuldades no domínio da língua culta. Ao contrário do que foi veiculado a obra parte de uma situação coloquial para levar o estudante até a norma culta”.  Não, não, Ministro, não é bem assim. Basta ler a página polêmica para constatar que é justamente o contrário: a obra parte da situação da língua culta para a coloquial e pretende validar o erro de fala como uma “variante adequada”.

4-Para nos ajudar, a especialista nos envia a página polêmica, onde, segundo afirma, depois da problematização, a língua culta é elencada. Vamos aos trechos da tal página polêmica. Depois de elencar as normas da língua culta, a autora problematiza:

Mas eu posso falar “os livro?”
Claro que pode. Mas fique atento porque, dependendo da situação, você corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico. Muita gente diz o que se deve e o que não se deve falar e escrever, tomando regras estabelecidas pela norma culta como padrão de correção de todas as formas linguísticas. O falante, portanto, tem de ser capaz de usar a variante adequada da língua para cada ocasião”

Interpretação do texto, segundo o que o jumento aqui achou que a especialista, a autora do livro, quis ensinar:

1. ”Claro que pode”, smj – diriam os juristas – quer dizer “claro que pode”. Se eu não estiver enganado, CLARO aqui não é o antônimo de ESCURO, qualidade do céu ensolarado e muito menos o nome de uma certa operadora de celular. CLARO aqui quer dizer: com certeza, óbvio, certamente, sem sombra de dúvida. “Claro que pode falar os livro”.  Ou não?
2. Ou seja, pode falar errado, sim, qual o problema? Deve apenas ficar atento por que tem certo tipo de gente preconceituosa que vai querer julgar você por falar errado; eles querem que você fale a só a língua “culta”, mas nem sempre precisamos dessa língua “culta”, “chique”, “certinha” no dia a dia ou em nosso ambiente coloquial.
3. A norma “culta” é um padrão preconceituoso pois separa as pessoas entre “cultas” e “ignorantes”, portanto, não aceite essa classificação, pois isso é apenas preconceito.  (Talvez devamos lembrar aqui do Presidente Lula, coitado, criticado injustamente, só por que não dominava a norma culta da língua pátria).
4. A forma “errada” de falar é apenas uma “variante adequada” em uma dada ocasião. Você pode até conhecer a gramática e saber a norma culta, mas ao falar, não se preocupe com esses detalhes.

Posso até estar enganado, mas é exatamente isso que eu entendi. Se alguém entendeu melhor, por favor, me explique.

Outro exemplo, na página polêmica:

“Nós pega o peixe” e “Os menino pega o peixe”.
“Nos dois exemplos, apesar de o verbo estar no singular, quem ouve a frase sabe que há mais de uma pessoa envolvida na ação de pegar o peixe. Mais uma vez, é importante que o falante de português domine as duas variedades e escolha a que julgar mais adequada à sua situação de fala”

Como Jack, o estripador, por partes:

1.       Apesar do erro de concordância (verbo no singular), quem ouve “sabe” do que se trata. Não precisa você se preocupar, pois o importante é comunicar. Afinal, ninguém é burro pra não entender o que está querendo dizer a frase em questão. Comunicou? É o que basta!

2.       É importante dominar a variante errada também pra poder escolher  a que julgar mais adequada. Ao que parece, nem sempre é adequado falar certo. Ou, não seria adequado falar sempre certo. Tem ocasiões em que é adequado falar errado. E você precisa estar preparado para saber falar errado certo, tendeu?

Seria algo como aqueles meninos que estavam roubando manga no quintal do velho, quando este os surpreende:   “Norratarra quaije peganas manga quando o réi raiô cum nois”. Entendeu? Pronto! Segundo alguns especialistas, trata-se apenas de uma “variedade linguística”, que não é melhor nem pior do que a “língua culta” e é adequada à realidade rural e às disparidades regionais do país. Não deve ser combatida nem discriminada.  (Perguntinha besta: qual o papel da escola?).

Não seria mais a escola que vai dizer o que é certo ou errado em matéria de linguagem. VOCÊ é que vai JULGAR a forma MAIS ADEQUADA de falar. O máximo que a escola vai fazer – por favor, não se melindre, jovem e adulto que perdeu o bonde  – é dizer humildemente qual forma SERIA a correta na norma CULTA mas VOCÊ, por favor, não se constranja. Pode continuar a falar como você já fala na sua região. E se alguém vier lhe corrigir, pegue esse livro e mostre o quanto essa pessoa é ignorante e preconceituosa.

Captei a mensagem? Alguém tem uma interpretação melhor? Fique á vontade para comentar.

Continuando, voltando ao post, agora, o espírito de classe e o fantasma ideológico:

“Não deixemos que jornalistas, críticos ou pessoas que nada conhecem de nossa área de trabalho - educação - dominem nossos pensamentos e manipulem nossas ações! Investiguemos o que há por trás desses "discursos críticos". Que será que há?

abraços,

(nome omitido para não personalizar o debate)

“Vamo lá, pessoar, num vamo deixá que essa gentalha que nada conhece de nossa área de trabalho – educação – se meta e tente manipular nossas ações”.

Pelo que entendi, parece que alguns especialistas tomaram conta da educação e ninguém deve atrapalhar as ações deles nessa área, que não é mais pública, mas só deles. Muito menos essas pessoas, como nois, pobres pais, mães e cidadãos mortais, que não sabemos nada do assunto.

E, por fim, para assassinar de vez a crítica, o velho apelo ideológico: o que está por trás desses “discursos críticos”? O que será? Será o pessoal do Serra? Da revista VEJA? Da direita?  Não lhes passa na cabeça que alguns dentre os especialistas, nesse ponto particular, possam simplesmente estar... errados? Ou certos na situação inadequada? Ou errados na situação adequada? Ou errados certos?  Ou certos errados? Tô doidim com isso, meu-deus-do-céu! Vou ficar louco! Socooooorro!

Faustino Jr.

P.S.:  Deixei este post maturando por 10 dias, sem querer publicá-lo por ter saído um tanto quanto irônico demais. Peço desculpas aos especialistas e estudiosos. Generalizações são sempre injustas. Creditem a ironia exacerbada a um pico de indignação. No mais, considerem a crítica e – sinceramente – ofereçam justificativa à tese. Será produtivo para todos.


quarta-feira, 8 de junho de 2011

Lady Gaga, o cão dos infernos e eu com isso...


Uma amiga me pede opinião sobre email que corre na net com imputações satânicas a Lady Gaga. É um email enorme, amedrontador, cheio de figuras e símbolos esotéricos e satânicos que a estrela e seus seguidores costumam exibir nos shows, clipes, e vestuário.  Respondi.


Olá, querida, beijos.

Olha só, esse material que você nos coloca para que opinemos é recorrente na internet. Nada novo.  Não gosto de discutir esse assunto polêmico e chato por duas razões:  1) ele não acrescenta nada e, 2) atrai o ataque dos fundamentalistas e o desprezo dos acadêmicos. Porém, em consideração a você, que está buscando uma orientação sincera, aqui vai a minha visão - e não pretendo polemizar.  Você sabe que eu sou cristão, de linha protestante. Minha visão de mundo está pois, condicionada (todos nós temos uma visão de mundo condicionada, claro). Vamos então:

O fato é que ocultismo e esoterismo são práticas milenares.  Se fossemos ligar pra tudo o que se fala e se escreve sobre o assunto a gente ficaria sem a graça de viver, com medo de tudo, vendo chifre em cabeça de cavalo. Ficaríamos doentes, obsessivos.  Conhece gente assim?

Os cristãos creem em Deus e, obviamente, creem em Satanás! Ou seja, quem crê na Bíblia tem que admitir a existência desse ser originalmente criado com bons propósitos, e que, sem uma explicação razoável, veio a opor-se ao seu próprio Criador, passando a atuar no mundo como inimigo de Deus e promotor do mal.

PORÉM, em vez de temê-lo, a Bíblia nos orienta a enfrentá-lo. Nos diz as escrituras que devemos "resisti-lo, firmes na fé" e "ele fugirá de vós".  A Bíblia também nos ensina que esse ser poderoso, em rebelião, está, todavia, sob controle.  Ele não está em guerra com Deus em pé de igualdade. Por isso não acatamos o símbolo Yin-yang, que ensina que o mundo é uma conjugação do equilíbrio entre o Bem e o Mal, o que no fundo relativiza tanto um quanto o outro, elegendo o equilíbrio como o fator de manutenção da vida.  A Bíblia ensina que Deus tem seus planos. Estes, contudo, são, em muitos pontos, inexplicáveis. Nesses planos está prevista a aniquilação do mal e a destruição desse ser. Quando? Ninguém sabe. Eu queria que fosse logo!

Se eu fosse Deus teria dado cabo desse anjo caído há milênios! Teria destruído o mal pela raiz! Teria mantido as condições originais da criação desde o início. Eu não entendo - a despeito das explicações dos teólogos - por que o mal surgiu na criação, qual a sua origem e o que Deus tem a ver com isso.  A forma como a rebelião desse ser passou ao homem é pra mim um desafio de compreensão. Os teólogos chamam de "queda" e ela está descrita na cena de Adão e Eva, ao comerem o fruto da misteriosa "árvore do conhecimento do bem e do mal". (Lá vem pedrada dos acadêmicos!). É tudo uma alegoria - a história da Criação, do Éden (Lá vem pedrada dos fundamentalistas!). Mas é nela que encontramos os elementos básicos da compreensão cristã do universo.

Apesar de eu não compreender o "por que" da queda e da origem do mal, a evidência de seus efeitos na natureza e no homem são abundantes. 99% (força do argumento) dos nossos recursos humanos são dirigidos para o processo de nos desbrutalizar. Não fazemos o óbvio em respeito ao nosso bem estar como espécie. Somos egoístas. É preciso Lei e punição para impedir a barbárie. Por dentro, somos bárbaros!  O único animal racional é também o único irracional. Somos a única espécie que faz mal a si mesma. Olhamos para a natureza e vemos que, se deixada ao leo, sem cuidados, vira desordem. O mato cresce - quem aduba mato! O ferro enferruja, a tinta descasca, a borracha resseca, a madeira apodrece.. tudo tem que ter manutenção constante. Por que o mal, o ruim, ocorre sozinho e o bem tem que ter energia para ser feito? Por que é melhor dormir do que trabalhar? Ver TV do que estudar? Engordar do que se exercitar e fazer dieta? Por que os alimentos benéficos não são os mais gostosos? Tudo isso aponta para a queda! 

O mundo 2.0 - o que os cristãos costumam chamar de céu - será uma nova criação, mas, ao contrário da primeira, não surgirá do nada. Ao que parece o Criador pretende apenas retirar os efeitos da queda. Seria como voltar à condição original do jardim. Nossas limitações serão retiradas. A natureza operará a nosso favor e não contra. O nosso trabalho passará a ser prazeroso e cheio de motivação natural. O universo, gigantesco e insondável, será nossa casa! É isso que os cristãos aspiram - embora, com certeza, grande parte deles faz uma ideia muito reducionista do porvir (anjinhos tocando harpas pelas nuvens, arghhh!)

Enquanto estamos nessa dimensão, vamos vivendo, cada um de acordo com suas escolhas possíveis. Nem sempre somos livres para fazê-las, pois, tanto as oportunidades como as potencialidades pessoais são diversas e desiguais, limitando o nosso leque de opções.

Como nós, o anjo rebelde (e sua companhia, pois ele levou 1/3 de seres celestes em sua rebelião, segundo a Bíblia) também vive e procura exercitar suas escolhas e aproveitar suas oportunidades, que são também limitadas.  Uma de suas maiores limitações é que ele não é onipresente, não pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo, como gostaria e como, lamentavelmente, a maioria das pessoas imagina, inclusive alguns cristãos. Ele consegue arregimentar muita gente para o seu lado, através do engano, com promessas que têm grande apelo, pois apostam justamente no efeito da queda em nós: o desejo de riqueza, fama, domínio e poder.

Muitos cristãos atribuem responsabilidades demais ao anjo rebelde. 99% (força do argumento) do mal praticado no mundo nada tem a ver com ele. Nossa própria maldade inata responde, sem precisar de ajuda! Imagino até que esse anjo rebelde seja bem capaz de argumentar inocência perante o Altíssimo no dia final:  "Senhor, eu não fiz nem um décimo do que esse pessoal tá me acusando!" (Lá se vem mais pedradas dos fundamentalistas - tô lascado!).

Eu, de minha parte, não me preocupo com ele. Já tenho coisas demais pra me preocupar, a minha própria vida, as questões transcendentais que me inquietam, a desordem do mundo, a injustiça - pessoal e social, o meu próprio egoísmo e o dos outros, o peso da "queda" que consome nossas energias, que ronda e, vez por outra, me deprime. Tento manter meu foco em Deus e procuro não perder de vista a figura de Jesus. Este é Deus, que resolveu experimentar na própria pele os efeitos do mal que decidiu - sabe-se lá por que cargas d’água - não eliminar desde a origem. E ele não gostou nada do que sentiu ao experimentá-lo.  E, mesmo assim, manteve o plano de só fechar o ciclo da "queda" num tal de "final dos tempos" que, nem mesmo como o Cristo, Deus encarnado, quis falar pois chegou a dizer que "o Pai reservou para sua exclusiva autoridade".  Então tá. Quem seria eu para questionar e ficar, como alguns fundamentalistas por aí, marcando a data.

Resumindo: se meu ponto de vista servir: deixe pra lá, querida. Centre em você, em sua família e no mundo de sua área de influência. Se quiser escutar Lady Gaga, pode, não tem problema. Se ela divulga uma "mensagem satânica", basta ignorar essa mensagem. Evite vestir suas camisetas esotéricas - mas, por favor, não saia nua se só tiver uma dessas na mochila, hahaha.

Deus te ilumine. Te acerca de Jesus. E pé na estrada, enquanto Seu Lobo não vem.

Abraços,

Faustino


Em tempo, amiga:
Não endosso o que foi dito no e-mail original sobre Lady Gaga, especificamente. Não tenho - nem preciso ir atras de - informações suficientes sobre. Tenho mais o que fazer. Tem gente muito criativa por aí, que pega um detalhe qualquer e monta uma teoria conspiratória. A minha resposta é em tese.