Seu Lobo

Seu Lobo
Ele tá vindoooo! Uhauuuu!

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Rosete no país do nunca-antes.




Rosete, uma brasileira. Pobre. Família típica dentre muitas por aí. A Dona Mãe de Rosete ficou órfã de mãe aos 8 anos, viveu com seus três irmãos e com o pai, mas logo os mais velhos casaram-se. A Dona Mãe de Rosete, num meio social de pobreza e subsistência, sem possibilidade alguma de educação, só tinha um destino: casar-se nova. Casou-se aos 15. Teve cinco filhos. Rosete foi a penúltima.

Rosete cresceu. Viu pouca convivência de pai e mãe. Já adolescente, viu pai e mãe juntos mas separados, apenas morando sob o mesmo teto. Conflitos, desencontros, discussões, brigas, sofrimento, poucos momentos de alegria.

Rosete viveu sua adolescência no momento em que o mundo dava sua grande virada social e cultural. O celular e a internet chegaram e transformaram a maneira como as pessoas se relacionam. Revolução dos valores! O mundo virou de cabeça pra baixo. Novos grupos de validação da moral e da ética, em grande vantagem sobre a família, a igreja e a escola. 

Rosete descobriu que a vida sexual livre era possível. Deus não castigava, não mandava um raio fuzilador sobre o pecador. E ainda dava até pra ganhar algum dinheiro. A tentação era grande. Mas Rosete não queria aquilo. Antevia qual seria o  fim. Mesmo sem o freio da religião funcionando, Rosete usou seu próprio freio. A saída? Mais uma vez, casar-se. E Rosete casou-se. Com um jovem também, trabalhador, que dá duro.

O relógio toca às 5 da manhã todo dia na casa de Rosete, na capital onde mora com seu marido. Eles se arrumam e saem apressados. O café, no trabalho. Andam 15 minutos até o primeiro ônibus, que passa pontualmente às 5:30h. Se perderem esse, chegarão atrasados. Próxima parada, terminal da integração, depois de 40 min de viagem. De lá, outro ônibus e mais meia hora até ao trabalho. Entram às 7 da manhã, saem às 16h. Hora e meia e dois ônibus depois, de volta à casa, lá pelas 17:30h. Tomar banho, lavar roupa, arrumar a casa, fazer compras, fazer comida e tudo o que der pra fazer até às 18:30h no máximo, pois Rosete tem que sair nessa hora, andar um quilômetro e meio apressada pra chegar, suada e arfante, à faculdade particular onde faz o curso de administração. Aulas até as 22:50h. O marido de Rosete vai busca-la. Andam um quilômetro e meio de volta, numa região perigosa, àquela hora da noite.  Depois do banho, lanche, soltar o botão do despertador e cama.

Essa rotina repete-se seis dias por semana. O sábado é um dia quase comum. Eles apenas chegam em casa coisa de uma hora mais cedo. Só sobra o domingo, onde Rosete vai de manhã pra a igreja. É onde respira social e espiritualmente, onde encontra pessoas que lhe abraçam, que conversam com ela, beijam e perguntam como vai sem ser por educação.  À noite, quando dá, volta à igreja, dessa vez com o marido. Tempo pra estudar? Pouco. Rosete tem que se contentar com o que aprende na sala de aula. Leitura complementar, quando? Como? Onde?  Segue a vida, Rosete, sem novela, sem noticiário, sem internet, sem estar no mundo, simplesmente por: falta de tempo. A prioridade é sobreviver.

Rosete e seu marido recebem líquido R$ 1.540por mês, somados os dois salários. Pagam R$ 250 de aluguel e R$ 400 da faculdade. Sobram R$ 890 para todo o resto: água, luz, telefone, gás, alimentação, vestir, calçar, ajudar a família, etc., etc. Pra duas pessoas, sem filhos, dá de sobra. São quase R$ 30 por dia, uma “fortuna” se for ver a miséria em volta. Eles reservam um pouco para uma poupança, para as emergências.  Ela os salva quando atrasos salariais acontecem.  Essa é a classe que fugiu da miséria e adentrou à linha de consumo. E essa é a “educação” a que essa classe tem “direito”.

Quantas vagas no ensino superior no Brasil são ocupadas por Rosetes?  Qual a importância dessas estatísticas que dizem que o governo do nunca-antes propiciou não-sei-quantas-mil vagas para os pobres no ensino superior? Certamente é “menos ruim” assim, mas é isso que queremos? O menos pior? Isso é normal? Isso é o possível? Essa é a sociedade que estamos construindo?  Onde vamos chegar com esse sistema?

Investir na educação básica deveria ser a maior de todas as prioridades. Mas isso é pra outro post. Por hora basta. Rosete, seu marido e milhões de brasileiros como eles são felizes ainda. Milhões de outros não tem a chance de apenas subsistir de forma semelhante.  E o presente não aponta para nada de tão diferente no futuro. Assim penso eu. E você?

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Eu sou Honesto?


Será que é possível aferir o grau de honestidade de uma pessoa? 


Tá Reclamando do Lula? do Serra? da Dilma? do Arruda? do Sarney? do Collor? do Renan? do Palocci? do Delúbio? Da Roseana Sarney? do Jucá? do Kassab? Dos mais 300 picaretas do Congresso?


Perambulando pelos sites na internet encontrei um texto sem autoria definida que fazia questionamentos éticos aos que facilmente gostam de criticar os políticos corruptos. Imediatamente tive a ideia de ajustar aquelas questões e criar um teste de honestidade.



Esse teste não tem valor científico, pois a moral e a ética estão fora do campo da ciência. Não há como aferi-los matematicamente.  O critério de apuração e os padrões de referência (faixas e classificação) são, evidentemente, bastante subjetivos. Porém podem servir como uma referência, ainda que não absoluta, com o objetivo de gerar alguma reflexão e confrontar a realidade da nossa condição humana.



Antes, deixe-me trazer aqui uma parábola que Jesus contou aos seus discípulos: a parábola dos talentos. Ela é muito ilustrativa do que acontece normalmente na vida social. Diz que um rico proprietário fizera uma longa viagem. Antes, porém, chamou seus servos e lhes distribuiu porções em dinheiro (que na parábola são chamados de talentos) a cada um para que administrassem. Ao retornar, vieram prestar contas. Todos multiplicaram seus talentos, exceto um, justo aquele que recebera menos, que resolveu enterrar o seu único talento. A cada um dos demais servos, que multiplicaram seus talentos, o proprietário recompensou dizendo: “foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei” e àquele que enterrou o talento e não o multiplicou disse “tirai-lhe o talento e dai-o ao que tem mais; pois ao que tem ser-lhe-á dado, mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado”.


Dessa parábola quero pinçar apenas a primeira resposta do proprietário aos seus servos fiéis: “foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei”. 

Todos estamos indignados com o nível de corrupção que atingiu a vida pública brasileira em todos os níveis. E, o pior, em vez de diminuir, a corrupção só faz aumentar.  Chegamos a admitir um “certo grau” de tolerância. Mas será isso correto?

No início dos anos 1990 o Maranhão foi governado por João Alberto, político vinculado ao grupo Sarney e que atualmente também é, como Sarney, senador pelo Maranhão. João Alberto protagonizou então um dos bordões políticos mais lastimáveis, como diria o ex-presidente Lula, desde “nuncaantesnahistóriadestepaís”. Em 1992, candidato a prefeito da Capital, mandou publicar em outdoors por toda a cidade: “Fiz um governo 90% honesto”.  Dr.  Jackson Lago, então prefeito em segundo mandato, patrocinando a eleição de Conceição Andrade, publicou em outros outdoors: “Quem é 90% honesto é 100% desonesto”.  João Alberto foi derrotado e carrega até hoje esse estigma: 90% honesto.

Na época cheguei a dizer que se João Alberto tivesse realmente sido 90% honesto ele já seria, de longe, um dos mais honestos políticos desse país, tal o grau de corrupção que estávamos vivendo. Lastimavelmente talvez hoje ainda seja razoável essa afirmação.  Ao que parece o sistema político não admite uma liderança com o nível de honestidade de100%.

Será que fazer pequenas concessões à ética é aceitável? Será que é razoável alguém ser 90%, 95% (ou outro percentual qualquer) honesto?  Será que uma pessoa que não é fiel no pouco, poderá sê-lo no muito? 


Faça o Teste de Honestidade Pessoal e veja se você tem credibilidade para criticar os políticos.

Marque:  A=Nunca;  B=Às vezes;  C=Geralmente;  D=Sempre

1.       - Fura filas nos bancos, utilizando-se das mais esfarrapadas desculpas?  [      ]
2.       - Fala no celular enquanto dirige?  [      ]
3.       - Estaciona nas calçadas, muitas vezes debaixo de placas proibitivas?        [      ]
4.       - Suborna ou tenta subornar quando é pego cometendo infração?      [      ]
5.       - Troca voto por qualquer coisa: areia, cimento, tijolo, e até dentadura?    [      ]
6.       - Usa o telefone da empresa onde trabalha para ligar para o celular dos amigos? [       ]
7.       - Trafega pelo acostamento num congestionamento?      [       ]
8.       - Para em filas duplas, triplas, em frente às escolas?      [      ]
9.       - Viola a lei do silêncio?    [      ]
10.   - Dirige após consumir bebida alcoólica?    [      ]
11.   - Espalha churrasqueira, mesas, nas calçadas?     [      ]
12.   - Pega atestado médico sem estar doente, só para faltar ao trabalho?   [      ]
13.   - Faz "gato " de luz, de água e de tv a cabo?       [      ]
14.   - Registraria um imóvel num valor mais baixo para pagar menos impostos? [      ]
15.   - Saqueia cargas de veículos acidentados nas estradas?   [      ]
16.   - Compra recibo para abater na declaração de IR para pagar menos imposto? [      ]
17.   - Declararia se negro para ingressar na universidade através do sistema de cotas?  [      ]
18.   - Em viagem a serviço, se o almoço custou 10, pede nota fiscal de 20?  [      ]
19.   - Comercializa objetos doados nessas campanhas de catástrofes?   [      ]
20.   - Estaciona em vagas exclusivas para deficientes?    [      ]
21.   - Adultera o velocímetro do carro para vendê-lo como se fosse pouco rodado? [      ]
22.   - Compra produtos pirata com a plena consciência de que são pirata?   [      ]
23.   - Substitui o catalisador do carro por um que só tem a casca?     [      ]
24.   - Mente a idade do filho para que passe por baixo da roleta do ônibus sem pagar? [      ]
25.   - Emplaca o carro fora do seu domicílio para pagar menos IPVA?   [      ]
26.   - Frequenta os caça-níqueis e faz uma fezinha no jogo de bicho?     [      ]
27.   - Leva do trabalho pequenos objetos, (clipes, envelopes, canetas, lápis)?   [      ]
28.   - Comercializa os vales-transporte e vales-refeição que recebe da empresa?  [      ]
29.   - Ao voltar do exterior mente ao fiscal sobre o que traz na bagagem?  [      ]
30.   - Acha um objeto, com a identificação do dono, mas fica com ele?  [      ]
31.   - Coloca nome em trabalho que não fez?    [      ]
32.   - Coloca nome de colega que faltou em lista de presença?   [      ]
33.   - Paga para alguém fazer seus trabalhos?   [      ]
34.   - Acha uma carteira c/documentos e R$ 1000, devolve mas fica com o dinheiro? [      ]
35.   - Lava a calçada com água tratada?      [      ]
36.   - Fura o sinal quando não há um sensor fotográfico?    [      ]
37.   - Fica com o troco a mais que, por engano, recebeu no caixa do supermercado? [      ]
38.   - Usa os R$1000,00 depositado na sua conta, sem procurar saber a origem?     [      ]
39.   - Bate num carro ao manobrar e, como ninguém viu, vai embora aliviado?     [      ]
40.   - Subtrai pequenos objetos de gôndolas de supermercado e põe na bolsa?      [      ]       


As respostas ao teste coloquei no post anterior. Faça o teste sinceramente, para sua economia pessoal.

Anote num papel as quantidade de respostas A; B; C e D. Só então, veja a apuração no blog anterior.

Mas se você conseguir enganar-se a si mesmo, não precisa olhar a resposta.

Respostas ao Teste de Honestidade Pessoal:



Critério de Apuração:














Padrões de Referência:











 Classificação :

 400 pontos               
Você não existe. Você pensa que existe, mas isso é uma ilusão.

O que vc pode fazer? 
Belisque-se, morda a língua. Se doer, corra a um especialista e peça para ser usado numa pesquisa genética de melhoramento da raça.

Credibilidade:           
Total. Você pode ser chamado pelo Altíssimo para ajudar na administração do Universo.

Nível 1:  Mais de 375 pontos:
Você é quase perfeito! Uma pessoa honestíssima, altamente conscienciosa e de excepcional valia para a sociedade. Tem caráter e grande força moral. Não precisa de vigilância para agir corretamente. Tem capacidade própria para resistir às demandas dos corruptores. Será um excelente pai ou mãe de família, infundindo valores firmes aos seus filhos e influenciará positivamente amigos, parentes e vizinhos.  

O que vc pode fazer?          
Você pode atuar em prol de grupos comunitários e organizações não governamentais com ótimas possibilidades de promover valores sociais e coletivos. Pode também usar sua força moral para influenciar jovens e adolescentes nos meios onde tem influência, engajando-se em programas de cultura da cidadania. Pode ainda, se tiver dom e carisma pessoal, candidatar-se a um cargo público. Seria um político exemplar, incorruptível, no estilo Pedro Simon.  

Credibilidade:           
Altíssima. Você pode criticar a corrupção dos políticos com segurança pois tem moral para tanto.

Nível 2: De 345 a 374 pontos:
Você é uma pessoa bastante honesta, correta e conscienciosa, um cidadão de valor. Respeita a ordem e procura fazer a sua parte. É confiável e seguro de si. Porém tolera uma certa flexibilidade, que, embora pequena, pode ser uma porta para a corrupção. Quando sob vigilância reage muito bem, mas em situações onde se sinta seguro sofrerá tentação para ceder um pouco. O problema é que esse “um pouco” pode crescer e sair de controle.  Contudo você tem boa resistência para mantê-lo sob controle e será capaz de usar essa flexibilidade em prol de ganhos maiores para a vida em geral, não exclusivamente para si.

O que vc pode fazer?          
Primeiramente buscar, seja na religião, seja na filosofia, leituras que fortaleçam sua posição moral e ética.  Inspirar-se em bons exemplos e boas biografias será de grande utilidade pois você já tem a base. Com esta base você pode facilmente melhorar seu perfil e tornar-se ainda mais confiável.   Você pode engajar-se em organizações que promovem o bem-estar coletivo e defendem princípios da dignidade e da cidadania. Tem moral para isso.

Credibilidade:           
Alta. Você pode criticar a corrupção dos políticos. Mas tem consciência de que não é uma questão simples. Sabe muito bem que você mesmo seria tentado e precisa estar atento para resistir. Precisa ser mais vigilante e criterioso consigo mesmo.

Nível 3: de 314 a 344 pontos:
Você ainda é uma pessoa honesta e confiável, porém adota um grau de flexibilidade num nível suficiente para representar perigo ao agir sob pressão ou resistir a oportunidades seguras de ferir a ética. Tem razoáveis princípios de cidadania, porém tende a relativizar em proveito próprio em coisas, a seu ver, de menor importância.

O que vc pode fazer?          
Buscar com diligência reforçar sua posição ética e moral mediante participação em grupos de desenvolvimento humano. Se não fizer nada a respeito sua base pode enfraquecer e, até mesmo, desmoronar diante de uma pressão imprevista. Use a religião ou a filosofia, mediante leituras e práticas comunitárias, para promover o seu autodesenvolvimento. Use sua influência familiar, seja como pai, mãe ou filho(a) como laboratório. Exercite seus valores para fortalece-los. Você pode ser um político, mas terá que despender muita força moral para não cair na vala comum. Entretanto você tem base potencial para se superar.

Credibilidade:           
Média. Você ainda tem moral para criticar a corrupção dos políticos, mas, no fundo, sabe que teria certa dificuldade se estivesse no lugar deles. Você pensa ser razoável que um político seja 90% honesto, como disse o senador maranhense João Alberto em 1992. Mas lembre-se da resposta do então prefeito de São Luís, Dr. Jackson Lago: “Quem é 90% honesto é 100% desonesto”.  

Nível 4: de 283 a 313 pontos:
Você está sendo uma pessoa flexível demais e, por isso, apenas razoavelmente honesta.   A relativização dos valores éticos e morais na sociedade pós moderna atual pode estar exercendo grande impacto sobre você e corroendo seus valores. Você pode estar sendo vítima do efeito Rui Barbosa: “De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”.

O que vc pode fazer?          
Reagir, enquanto é tempo! Pare e comece a reformular seus princípios. Precisa refletir sobre si mesmo e perguntar-se sobre o real sentido de tudo isso que é a vida e o mundo. Precisa redescobrir o valor da ética e da moral e fortalece-los em você. Estabeleça um programa de atenção em todas as suas atitudes e conte até 3 antes das decisões.

Credibilidade:           
Baixa. Você tende a criticar a corrupção dos políticos mais como uma forma de desabafo, como um tipo de justificativa oculta para generalizar sua própria conduta.  

Mais de 252 a 282 pontos
Você não chega a ser abertamente desonesto, mas está bem próximo. Tem baixa resistência à pressão e é propenso a ceder quando sem vigilância.

O que vc pode fazer?          
Reconstruir seus alicerces éticos e morais quase do zero. Precisa urgentemente estudar filosofia e aderir a uma religião. Precisa encontrar alguma pessoa amiga que lhe sirva de referência ética e moral.

Credibilidade:           
Baixa. Você não tem credibilidade nem força moral para criticar os políticos corruptos. Se fosse um político você provavelmente faria o mesmo que eles fazem.


Nível 6: de 221 a 251 pontos
Você já é um corrupto em potencial e se surgir a oportunidade certa você botará a mão na bufufa!

O que vc pode fazer?          
Precisa reconstruir seus alicerces éticos e morais quase do zero. Precisa urgentemente estudar filosofia e aderir a uma religião. Precisa encontrar alguma pessoa amiga que lhe sirva de referência ética e moral.

Credibilidade:           
Muito baixa. Você não pode criticar os políticos corruptos. Se fosse um político você certamente seria um deles.


Nível 7: até  de 220

 pontos:                     
Você já é um desonesto pleno e um corrupto pronto.  

O que vc pode fazer?          
“Vigiar e orar, para não cair em tentação”

Credibilidade:           
Baixíssima. Você não pode criticar os políticos corruptos.



quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Zeca da cunhada - ou o Caio Fábio nosso de cada dia.



Stephen Kanitz, em artigo publicado na VEJA em janeiro/2002[1] propõe um estudo de caso sobre o valor da ética. Conta a história do Zeca, um nome fictício para um caso real que conheceu.  O Zeca casara com a garota mais linda da turma. Todo mundo babou de inveja! Acontece que a garota tinha uma irmã mais nova ainda mais bonita! E havia uma rivalidade mal resolvida entre elas. Diz que a cunhada andou facilitando e o coitado do Zeca caiu como um patinho e... traçou a cunhada, que, por sua vez, deu um jeitinho pra a mana ficar sabendo. Pronto! Bomba para o Zeca, coitado: perdeu o casamento, metade do patrimônio, teve ferida sua hombridade e seu nome envolto na vergonha.

Kanitz diz que o Zeca, até hoje, mais de 20 anos passados, carrega esse estigma. “Quem, Zeca? Aquele que transou com a cunhada? Há, sim, sei!”  Para Kanitz parece injusta essa marca, pois o erro só durou alguns minutos. Fosse um crime qualquer, a lei teria punido e sua ficha, após cumprida a lei, estaria limpa outra vez! Mas, no caso, o ferir a ética marcou para a vida inteira o pobre do Zeca.  

Historinha deveras interessante!  Ilustra a natureza da ética e suas implicações. Kanitz destaca o quão fortes são os valores éticos de uma comunidade.  Transgredi-los gera consequências permanentes. Não tem cumprimento de pena, não tem ficha limpa, não tem perdão. Sujou, é pra sempre, não tem como apagar – voltar e refazer.

Do ponto de vista civil e criminal, um cidadão terá sua ficha zerada após cumprir a pena determinada pelo estado. Não poderá mais ser barrado em concursos, empregos ou cargos públicos nem sofrer qualquer discriminação civil. Está livre. Com a falha moral, diz Kanitz,  isso não acontece; é para sempre. Não tem jeito: você pode tentar, mas nunca vai conseguir escapar do sorriso maroto mal disfarçado – seu corpo vai lhe trair – quando encontrar com um Zeca da vida por aí, aquele que comeu a cunhada, ou um João que desviou um milhão de reais da Previdência. Essa imagem será prontamente acessada em seu HD cerebral no mesmo instante. E, pode ter certeza, farão o mesmo com você.  Na roda de amigos – Zeca (ou você) ausente – boas rizadas! Para o João da Previdência (ou você), alfinetadas –  Ó aí o cara que desviou 1 milhão do INSS! Passou 3 anos preso, mas agora tá aí, livre e sorridente!  Perdão? Nem pensar!

Kanitz coloca a ética como um valor humano indispensável e permanente. Ninguém pode viver tranquilo sem algum código de ética. Caso rejeite a ética da religião ou a de seus pais, terá que procurar outra que lhe sirva.  Kanitz afirma: ”Se você tem uma religião e não a pratica, se você odeia as pregações de moralidade que seus pais lhe impõem, isso não o exime de procurar um sistema de referência melhor para sua vida, seja uma outra religião, seja uma conduta filosófica, seja um simples livro de auto ajuda.”

Sou fã do Pastor Caio Fábio. Para mim é um gênio! Eu me atreveria a dizer um dos mais geniais pregadores cristãos do planeta! Sua compreensão do Evangelho de Cristo é, a meu ver, inigualável! Mas Caio Fábio cometeu um erro sério em 1999: teve um caso com sua secretária! Houve então um verdadeiro terremoto no mundo evangélico brasileiro. O cara fora presidente da AEvB (Associação Evangélica Brasileira), diretor do projeto Casa da Esperança, no Rio de Janeiro. Fundador da agência missionária VINDE e editor da revista VINDE (uma das primeiras revistas evangélicas vendidas em bancas), conferencista internacional, tinha uma rede de TV por satélite com antenas parabólicas, ministrando cursos no Brasil inteiro! Tive o privilégio de participar da organização de uma conferência evangelística com ele em São Luís-MA, em meados de 1994, onde pusemos 12 mil pessoas no estádio N´Hozinho Santos, coisa que, desde então, o campeonato maranhense de futebol pouco repetiu.

A história de Caio desde o adultério é longa, cheia de detalhes que não vem ao caso. Sua confissão ampla, geral e irrestrita, vale dizer,  não tem paralelo que eu saiba na história do protestantismo brasileiro. Nem seu arrependimento. Hoje, contudo, sua postura crítica e ácida, palavreado agressivo –  às vezes, até chulo ; entrevistas polêmicas, acusações escabrosas, e muitas controvérsias lançam sobre ele uma nuvem de desconfiança e rejeição. Muita gente não o suporta. Outros o odeiam. Alguns o chamam de demônio travestido. Muitos, porém, o amam.

Tirando essa parte birrenta de Caio, uma reação compreensível de quem já comeu o pão-que-o-diabo-amassou, que conhece muito bem os bastidores e não suporta o menor grau de cinismo de certas lideranças e de falsos amigos, quando ele sobe ao púlpito, ou fala no seu site, escreve seus artigos ou prega a Bíblia, abre-se um cenário em nossa cabeça sobre a Graça de Jesus – faz isso com uma habilidade impressionante!  Ele ama Jesus e usufrui sem constrangimento dos benefícios da Graça de Cristo. Apropriou-se como poucos do perdão que Cristo dá ao arrependido.

Faço minhas filtragens, claro, mas aprecio ouvir as mensagens de Caio e ler seus livros. Contudo, cada vez que vejo ou ouço Caio, por mais que eu não queira, o estigma do Zeca invade a cena: o pastor que transou com a secretária! Não permito que esse passado embote minha percepção do seu arrependimento (metanóia) e, principalmente, de sua pregação graciosa, mas não consigo evitar o pensamento. Caio é um ser humano completo, com seus erros e acertos, mais acertos do que erros.  O ponto aqui não é Caio e sim a questão levantada por Kanitz: o quão importante é o código moral e ético de um grupo social.

Zeca, Caio, Collor, Arruda, Dirceu, Delúbio, Valério, Cacciola, Abdelmassih, e tantos outros nos advertem: se queremos ficha limpa perante a sociedade, devemos cuidar de não manchá-la, pois essa mancha não se apagará jamais.

Agora, como sou cristão de linha evangélica – ou melhor dizendo, de linha protestante, vinculado a uma igreja histórica –  deixa eu pontuar aqui sobre o ensino bíblico normalmente aceito entre todos os cristãos:  Deus perdoa! Deus esquece!  O homem não esquecerá nunca o passado. Mas com Deus é diferente. Na Bíblia está escrito que Deus conhece as nossas iniquidades todas. Contudo, “Tornará a ter compaixão de nós; pisará aos pés as nossas iniquidades e lançará todos os nossos pecados nas profundezas do mar.” 

Acredito que, uns mais, outros menos, todos somos Zecas e Caios. Se fossem publicados alguns de nossos maus intentos malsucedidos, ou os bem sucedidos nunca descobertos, nossa reputação atual sofreria sério abalo. Só isso nos deveria conter diante de Zeca e Caio.

Zeca e Caio carregarão seu estigma até a morte. Mas, pelo menos, no que toca a Caio (não conheço o Zeca verdadeiro) posso vê-lo dormir tranquilo na plena certeza de que, perante Deus, no que diz respeito à secretária, tem ficha limpa!


terça-feira, 23 de agosto de 2011

Julgamentos Sumários: Brasil e Inglaterra



Estamos sob o impacto de duas notícias que envolvem o sistema judiciário: uma no Brasil, outra na Inglaterra. Aqui, uma juíza “linha dura”, daquelas que acham que a lei deve ser aplicada no seu rigor contra traficantes, gangs e milícias. A juíza Patrícia Acioli, do Rio de Janeiro, ao contrário de muitos sócio-juristas que propugnam relaxar a aplicação das leis em prol de uma pretensa ressocialização – pretensão essa que, na prática, tem se mostrado ingênua – acha que essa gente deve ser punida com rigor.  Achava! Patrícia Aciolli, 47 anos (18 na magistratura), três filhos, foi executada no dia 11 de agosto de 2011, com 21 tiros, em Piratininga, região metropolitana de Niterói,  ao chegar em casa depois de um dia de trabalho em defesa da nossa sociedade.  Seu “crime”? Ser impiedosa na aplicação da lei, especialmente contra PMs integrantes de milícias e facções do crime organizado. Ela achava que se um PM, depois de todo o doutrinamento institucional, mais do que ciente das implicações e consequências das condutas criminosas, tanto nos danos à vida e à sociedade quanto nos riscos das penalidades, bandeia-se para o crime, deve ser jugado com rigor e celeridade, sem maiores concessões. Os bandidos não concordaram. Por isso julgaram a juíza e aplicaram a pena máxima prevista em suas leis: execução, sem um pingo de misericórdia. É revoltante!

Enquanto isso, no primeiro mundo, uma barbárie transcorre. Jovens em bairros pobres de Londres e outras grandes cidades da Inglaterra, indignados por um raro excesso da polícia britânica que resultou na morte de um rapaz inocente, protagonizaram cenas de insanidade coletiva, incendiando carros e prédios inteiros, saqueando lojas e destruindo equipamentos públicos. Foram quatro dias de fúria ensandecida, com o registro de quatro mortos até agora.

Não vamos aprofundar aqui a raridade da ação discricionária da polícia inglesa, já que o caso da morte do brasileiro Jean Charles, em especial, ofusca nossa perspectiva. Comparemos os excessos de lá com os da nossa polícia, levando em conta que lá há uma tensão constante pela pressão terrorista que já causou centenas de vítimas. Essa semana policiais  de SP atiraram num ônibus sequestrado, à noite, ônibus com vidros fumê, cheio de passageiros.

Mas, voltando ao ponto, o que me interessa destacar aqui é o depois. O processo jurídico acontece sempre depois dos fatos, lógico. Depois, no Brasil, o que vemos é a incompetência da polícia em investigar, falhas do ministério público em denunciar, demora do judiciário em julgar e o caos do sistema penitenciário. Incompetências, falhas, lentidão, caos – por diversos fatores que não vêm ao caso agora, desde insuficiência de efetivos em todos os níveis, concepções ingênuas, políticas frouxas, legislação leniente, política partidária, terminando com infraestrutura insuficiente.  O depois na Inglaterra?  Ao arrefecer da crise, no dia imediato, os tribunais passaram ao regime ininterrupto com plantões redobrados, com juízes trabalhando em mutirão, 24h por dia, para julgar todos os que foram identificados pelas câmeras, presos em flagrante ou presos depois de investigações e denúncias. “Julgar com rigor e não deixar escapar ninguém” essa a palavra de ordem do Primeiro Ministro.  Mais de 1500 pessoas já foram julgadas em 72 horas de trabalho e sentenciadas a penas de três  meses a um ano de detenção, em regime fechado. Os que cometeram crimes de morte já foram indiciados e presos para julgamento. Até jovens, adolescentes e crianças foram condenados, inclusive uma menina de 11 anos que depredou uma vitrine.

Dei aí dois exemplos de julgamentos sumários: o dos bandidos no Brasil contra uma juíza e o do sistema judiciário inglês contra uma horda. Num texto tão exíguo, da lavra de quem não é do ramo  – apenas um cidadão à mercê do crime – procurei desabafar e explicitar minha indignação. A coisa não é tão simples, dirão os entendidos. Talvez não seja. Mas que invejo um sistema legítimo que julga crimes evidentes de maneira sumária, invejo sim. Tô certo ou tô errado?

Pra terminar, uma homenagem à juíza Patrícia Acioli: amanhã completo 55 anos. No cantar dos parabéns, vou lembrar seu nome e orar pelos seus filhos.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Meninas sem rumo – ou um passo além da indignação



Muitos vimos, com um misto de indignação, revolta e desesperança, as reportagens da TV sobre o “bando” de meninas vadias pelas ruas de SP, cometendo furtos e roubos em lojas. Quatro meninas entre 10 e 14 anos; crianças! As imagens não mostraram os rostos, mas dava pra vê-los em inúmeras outras crianças abandonadas país a fora.  O mais dramático para mim, o fato de serem meninas.  Parecem mais frágeis, embora o sejam tanto quanto os meninos nos faróis. Mas não se espera que meninas de 12 anos furtem e roubem. É chocante! E não adianta vir agora com ingenuidades. Essas crianças necessitam de acolhimento e proteção do Estado. 

Elas já foram recolhidas “n” vezes pelos policiais, e –  sempre há uma explicação – voltam às ruas, aos furtos e aos roubos.  Uma lojista guardou uma barra de ferro sob o balcão. “Não vou mais permitir isso. Vou me defender. Vou bater mesmo. Não posso ficar à mercê delas”.   Agora imagine uma mulher dessas, que deve ser provavelmente uma mãe de família, danando uma barra de ferro na cabeça de uma criança de 12 anos!  Olha a cena! 

O que nos leva a esse limiar da insanidade? Tudo! A indignação – por que ainda resta, parece que é só o que resta, e ainda bem que ainda resta.  A revolta – por que pagamos os nossos impostos, e não são baixos, e vemos os políticos corruptos consumi-los e o Estado incompetente para dar respostas. A desesperança – porque parece não ter fim esse estado de coisas, quanto mais o tempo passa e mais o mundo se torna moderno e evoluído tecnologicamente e o país cresce.  Impotência!

Sim, pode passar em nossa cabeça demonstrar amor a essas crianças, recolhendo-as nós mesmos! Mas isso não é viável nem legal. Como vamos fazer isso? Não é tão simples assim. E os custos? E os riscos? E o tempo?  Mas, apesar de tudo, tem um bocado de gente fazendo justamente isto.

Vimos que a polícia localizou e prendeu as mães dessas crianças e as indiciou pelo crime de “abandono de incapaz”. Fiança? R$ 182,00. Não sabemos nada a respeito dessas mães. Mas, pelo visto, é bem provável que elas próprias sejam ex-incapazes abandonadas.  Será que a prisão dessas mães resolve alguma coisa? (Em menos de 24 horas a justiça paulista, atendendo pedido do Ministério Público, mandou soltar as mães).

Soluções? Com a palavra os especialistas!  E tem muitos deles por aí, incluindo os pagos pelos nossos impostos. Mas, sem querer aprofundar aqui, vale dizer de pronto: a solução não é policial. Passa, bem antes, pela família, pelas políticas sociais e, em especial, pelo modelo de sociedade que estamos construindo.

E quanto a nós? Compete apenas pagar os impostos?  É a resposta de muitos. Porém, ao que parece, outros caminhos são possíveis.  Qualquer um pode associar-se a algum grupo ou entidade de apoio social e ajudar de alguma forma. Se pouco servir, pelo menos pode contribuir para dar algum sentido à vida de muita gente por aí. De quem dá e de quem recebe.  Um passo além da indignação. Pode ser?

Treina, treina, e faz errado!



Noitinha em SP. O ônibus é sequestrado por bandidos. Ônibus de luxo, com vidros fumê.  O motorista consegue fugir e avisa a polícia. Os bandidos obrigam um passageiro a dirigir o ônibus. A polícia chega. Não a polícia simples, mas o BOPE – um grupo de elite, preparado para missões especiais.  Objetivo prioritário? Para o ônibus!  Como? Atirando nos pneus!  De onde? De longa distância, já que, com os vidros fumê, os policiais não poderiam expor-se aproximando-se do veículo. Quais os riscos? Com o ônibus em movimento e as viaturas também, altas chances de os disparos atingirem vítimas e transeuntes. Decisão dos policiais? Atirar. Resultado? Cinco pessoas atingidas, três no ônibus e duas na rua. Avaliação do comandante? Foi um erro, mas deu certo. Então tá!

Será que perseguir um ônibus de noite e fazê-lo parar seria tão difícil assim? Afinal, um ônibus tem uma agilidade de elefante no trânsito! Aproximando-se por trás, onde não há visão para os sequestradores, seria muito fácil atirar nos pneus traseiros por baixo do para-choques, com baixo risco de tiro.

A ação policial não é nada simples, especialmente em tais casos. Mas infelizmente no Brasil estamos cansados de ver erros que “não deram certos” como no caso do ônibus 147, no Rio de Janeiro, anos atrás, em que um atirador de elite acertou o bandido que já estava se entregando  e esse acertou a vítima, matando-a. O caso Eloá, onde um apartamento foi invadido pela polícia, ocasionando ao sequestrador acertar a vítima, matando-a.  Policiais que atiram em carro “pensando que” era de um assaltante em SP, mas que na verdade era de uma mãe com um filho, matando uma criança de 9 anos com um tiro na cabeça. E essa fórmula de “pensando que” se repete em outros casos repercutidos na mídia, onde policiais atiram primeiro pra perguntar depois.

Não podemos simplificar a análise, nem para mais, nem para menos, como o fez o comandante: “Foi errado mas deu certo”. Espero que a passageira atingida com um tiro no tórax e que encontra-se internada em estado grave não o cale. Que a sorte salve esta vida, vítima da incompetência e do despreparo policial.