Seu Lobo

Seu Lobo
Ele tá vindoooo! Uhauuuu!

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Neodarwinismo: Um Novo Meme?


Fico impressionado quando entro em sites ateístas. A maioria deles não se contenta em “demonstrar” as modernas teorias neodarwinianas. Não, agora eles partiram para o ataque. E usam para isso as mesmas armas que condenam no fundamentalismo religioso: fundamentalismo. Eles estão conseguindo ser mais fundamentalistas do que os mais ferrenhos fundamentalistas!  “Agora somos nós!” – gritam. “Chegou a nossa vez. Não vamos nos calar. Vamos nos orgulhar de sermos ateus. Vamos lutar para destruir a religião da face da terra e salvar a humanidade desse mal terrível”.

Para eles, só a Ciência! Quem estiver fora dela está fora do mundo. Pior, não somente está fora: é um doente, um desvio genético, um imbecil, burro, idiota, desinteligente, bruto, canalha, falso. Pior, segundo eles, essa doença é endêmica, causada por um perigoso vírus cultural, que eles descobriram “cientificamente”, chamado de Meme, que é, segundo eles, o correspondente cultural do Gene biológico. E, mais, enquadram todos os cientistas: ai daquele que cometer o pecado de verbalizar a menor sombra de dúvida.  Será lançado ao ostracismo, ao desprezo, por não acreditar na “Boa Nova” científica da origem da vida e da evolução dela durante bilhões e bilhões de anos, ao sabor do Acaso, pela Luta com a sobrevivência do mais forte, conduzida pela Seleção Natural, até chegar ao homem, com inteligência e consciência.  Tem que rezar pela cartilha do neodarwinismo para poder comer o pão da Ciência.  Quem não se ajoelhar ao Profeta Darwin, não reverenciar seus apóstolos e nem crer na sua Trindade (Luta, Acaso e Seleção Natural), perderá seu posto, não terá dinheiro para pesquisas e será ridicularizado como herege. Quem disser que não crê, vexe!, esse vai direto pra o paredão de fuzilamento e daí ao quinto dos infernos.  E de que vive um cientista senão de pesquisas, financiadas por grandes e poderosas instituições, que não vão admitir que seus nomes sejam associados a um palavrão tão hediondo e nefasto como teísmo, ou – aí já é demais: criacionismo? 

Eles dizem que o mundo não tem propósito algum, que a Seleção Natural (o “Espírito Santo” do neodarwinismo) é cega, que os genes são egoístas, que o homem não tem escolha (livre arbítrio): a moral está a serviço da corrente genética em constante evolução. Portanto, não existe certo ou errado e sim um conjunto de regras gerais para garantir a preservação o aperfeiçoamento da espécie. Para fugir do beco sem saída que ideias como essa podem causar na prática (vide as tentações eugênicas que nos rondam) Dawkins, o “Apóstolo Paulo” do Neodarwinismo, descobriu, “cientificamente”, (ou seria por revelação genética?) que nós somos a única espécie que pode ir contra os genes. E ai de quem não respeitar esse dogma.

A laureada cientista Lynn Margulis, da Academia Americana de Ciências, ex-esposa do famoso cético Carl Sagan, disse certa vez: “A história acabará por julgar o neodarwinismo como uma pequena seita religiosa do século XX dentro da fé religiosa geral da biologia anglo-saxônica”.  (Margulis faleceu em novembro de 2011). A Academia não teve coragem de execrá-la (por seu background de serviços prestados à ciência). Teve que engolir.

Pode ser que Lynn Margulis esteja certa em sua profecia, pode ser que não. Quem vai saber? Mas uma coisa é clara: ela não era uma burra, idiota, doente, tola, imbecil, falsa, desonesta. Ou era? Com a palavra os dowkinianos de plantão.



sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Pedras na Sala de Justiça



É, meus amigos, que mundo! Que tempos!  Insólita, inusitada e sei-lá-mais-o-que, a declaração do Ministro Gilmar Mendes, na seção histórica de ontem, dia 02/02/2012, onde o Superior Tribunal Federal- STF, o guardião da nossa mais-que-remendada Constituição, discutia o futuro moral do Judiciário brasileiro.  O ponto nevrálgico: o Conselho Nacional de Justiça – CNJ pode agir originariamente – ou seja, por iniciativa própria – ou tem que esperar as famigeradas Corregedorias falharem para só depois atuar? Uma questão crucial, pois, no fundo, tratava-se da própria razão de ser do CNJ. O que são as tais Corregedorias? São colegiados de juízes de cada tribunal constituídas para julgarem seus pares. Ou seja, colegas julgando colegas. Companheiros de churrasco, de peladas nos campinhos da AMB (Associação dos Magistrados do Brasil), de jantares, de colóquios, de congressos, uma irmandade “da alta”, onde as famílias se entrelaçam em namoros e casamentos, onde filhos são desde cedo direcionados para a carreira jurídica, sendo que alguns passam em concurso e outros “passam”, e vai se firmando uma elite, uma certa classe social de altos rendimentos à custa do erário público e de muitas falcatruas – há exceções.  É nesse ambiente que as tais Corregedorias fazem-de-conta que atuam e o Judiciário faz-de-conta que acredita. Olha, eu até tenho certa rejeição às posturas do Min. Gilmar Mendes, mas dessa vez, ele foi simplesmente fantástico. Sua declaração rompeu os anais da história. Vai virar bordão. E está interligada com outro bordão bem mais antigo, o repto de Jesus Cristo ao responder aos discípulos: “Se estes se calarem, as pedras clamarão”.  Talvez o Min. Gilmar Mendes tenha lido o Evangelho de João alguma vez na vida e aquelas palavras do Mestre ficaram ali esquecidas. Bendita leitura então, pois evoca-la nesse momento de rara importância e significado para a Justiça brasileira foi de uma felicidade ímpar. "Até as pedras sabem que as corregedorias não funcionam”, disse o Ministro, no ponto de maior inflexão de sua intervenção. Matou de pau!. Toma! Tá aí o que precisava ser dito com todas as letras e com a autoridade de um ministro da mais alta corte numa se suas mais solenes seções. Parabéns, Ministro. O Senhor foi inspirado nesse santo momento cívico.

Tomara as pedras clamem também ao coração do próprio Ministro, e ele venha a ficar louco pelo tempo suficiente para que a fé em Jesus brote no seu coração e consiga, qual tenra plantinha, crescer e florescer no meio da vasta plantação de sua sapiência, sobrepujando-a completamente com a verdadeira e superior sabedoria, a do conhecimento de Deus.

Tô feliz hoje, pela chance dada à Justiça de prevalecer. Tomara que consiga. Esperança!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Comprando um carro ou uma ata, tem sempre alguém pra nos passar a pata.


Em São Paulo, de férias com a esposa, visitando genro e filha, resolvemos presentear o casal pelos 5 anos de casados completados ontem, 12/01/2012. Um presente significativo: trocar o carro deles, um popular 1.0, por outro com ar condicionado. Afinal, é item necessário, principalmente pela segurança de poder trafegar com os vidros fechados.  Depois de  avaliar diversas opções decidimo-nos por um Ford Fiesta, pois estava em promoção com dois outros itens de segurança raros em carros populares: freios ABS e air-bags.  “É pronta entrega”, respondeu o vendedor quando perguntamos. Foi feita a avaliação do usado e a negociação, etc. Assinamos os papéis, fui ao banco e paguei a diferença à vista. Tudo pronto. E então, a surpresa: “O carro não está em São Paulo e sim no nosso depósito, em Caçapava e só será entregue em cinco dias”. Fiquei fulo da vida, aborrecido e muito irritado. Por que o brasileiro é assim, sempre desonesto? O cara tinha levado a gente pra ver o carro no pátio. Tinha dito “esse é o carro”. E agora vinha com essa, de que “esse é o carro” queria dizer apenas que “esse é o tipo de carro”! Pode? A ainda insistiu em dizer que havia informado que a pronta entrega padrão da loja é de 5 dias úteis. No fim eu é que seria o culpado, por não ouvir direito!  Veio o gerente. Escutou a história e disse “A gente treina esse povo mas eles, na ânsia de vender, cometem esses erros. O senhor nos perdoe”. O resultado é que o jeitinho e a malandragem sempre aparecem para transformar um momento de alegria em aborrecimento.  “Vamos fazer um exercício mental e esquecer esse pequeno aborrecimento” – falei pra minha turma. De noite fomos jantar juntos.

Hoje fui ao Mercado Municipal.  Andando daqui pra ali entre os boxes do famoso mercado, com frutas e iguarias exóticas de todas as partes do Brasil e do mundo, com aquela riqueza de odores, cheiros e cores que enchem nossos sentidos. Num dos boxes, perguntei: “Qual o preço da ata[1]?”  “R$ 20,00 o quilo. Quer experimentar?”  “Não, não, obrigado”. “Tome, experimente, por favor”, e foi logo cortando uma delas e me dando a metade num guardanapo. Meio sem jeito, aceitei. Enquanto degustava olhei para a cesta de  athemoya, uma fruta exótica da Amazônia. O cara, mais que rápido, pegou uma e já veio com outro naco pra mim. Rejeitei. Mas ele, insistente, me fez pegar uma lasquinha. Ainda no meio, vem ele com uma pitaya, vermelha, suculenta! Essa rejeitei mesmo, com toda força das palavras e gestos, já que havia acabado de almoçar. Agradeci e, quando ia saindo, adivinha o que aconteceu? O sujeito começou a me insultar, dizendo que eu dissera que iria comprar a ata e por isso ele partiu uma pra eu provar. “O senhor quer comer de graça? Tá escrito besta aqui na minha testa?”  Gente, eu fiquei branco, depois vermelho, sem fala! Mas minha paralisia durou só uma fração de segundo. Gritei mais alto que ele: “Não tá escrito besta, mas deveria estar escrito CRETINO”.  Eu gritei com força e num tom intimidativo.  “Eu não pedi nada, o senhor foi quem insistiu pra eu provar. E, quer saber, agora é que eu não compro mais nesse box, nem hoje nem nunca mais. O senhor deve ser daqueles que sentam no sofá de noite, assistem ao jornal na TV e ficam indignados com as falcatruas dos políticos. Mas o senhor é igualzinho a eles.”  Falei tudo assim, de supetão, naquelas lacunas mágicas de silêncio que às vezes ocorrem. O cara ficou tão sem graça, afastou-se para o fundo do box sem dizer mais nada. Os companheiros vendedores de outros boxes olhavam com rosto surpreso, como se não acreditassem no que viam. 

Saí apressado e fui embora, aborrecido até a alma. Me pergunto sempre, por que, meu-deus-do-céu, o brasileiro é assim?  Seja na maior concessionária Ford de São Paulo, a CAOA, seja num box de mercado, na compra de um carro ou de uma ata, sempre a malandragem, o jeitinho, a tentativa de ludibriar!  A impressão que dá é que tá tudo perdido. De cima a baixo, de fio a pavio, do pedreiro ao magistrado, tá tudo podre!

Sei que não é bem assim, mas, tem hora que dá um desespero. Parece que não se pode mais confiar em ninguém.  Sinceramente, do jeito que as coisa vão, fico pensando quanto tempo vai demorar para que nos tornemos um país sério.


[1] Ata, fruta do conde ou pinha.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Minha Mensagem de Natal (2011). Ainda é Natal

Posto aqui meu e-mail de natal encaminhado aos amigos, colegas, familiares e contatos:

Renovo a mensagem permanente do Natal, o mistério indecifrável pela razão e pela ciência, só comunicado ao homem espiritualmente: Deus se fez carne e habitou entre nós.

Aos que recebem pela fé essa convicção em seu espírito, maravilha. Se você comemora o natal apenas culturalmente, tudo bem. Mas o melhor é sentir no peito essa comunicação misteriosa e maravilhosa, que nos enche de esperança de que todas as coisas um dia serão renovadas e haverá um mundo novo, de verdadeira harmonia, paz e, principalmente, de Justiça, sob o governo do Criador.

Abraços a todos,


Faustino


Pict1024.jpg
Este não é um cartão de natal comum.
Foi feito com pincel à boca
por uma pessoa com restrições físicas (tetraplégica).
Por isso seu valor supera a simples imagem
e nos estimula à superação.
Nos fala do potencial que Deus destinou a cada um de nós,
que, mesmo diante de tragédias, se manifesta.

Conheça o trabalho dessas pessoas e suas mensagens de superação
visitando o site da Associação dos Pintores com a Boca e os Pés - APBP >  http://www.apbp.com.br/

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Inacreditável 2 - Senador Edinho recusa-se a pagar médicos

Realmente o ser humano é imponderável, nunca para de nos surpreender. Um passarinho me contou semana passada que o Senador Edinho Lobão (PMDB-MA) recusa-se a pagar os serviços de alguns dos médicos que participaram do atendimento emergencial e cuidaram dele logo após o acidente automobilístico que por pouco não lhe vitimou, ocorrido na região metropolitana de São Luís, no dia 12 de maio de 2011 (o carro do Senador bateu de frente com uma caminhonete quando ele voltava de inspecionar serviços em seu helicóptero). Uma fatura irrisória diante da fortuna do homem que enriqueceu com uma panificadora em Carajás (trocando pão por pepitas de ouro). Argumentou que não autorizou os procedimentos.  Já se vão 7 meses e o Senador simplesmente diz que não vai pagar e pronto.

Divulgou-se na imprensa que, após o acidente, o Senador permaneceu em estado grave num dos melhores hospitais da capital, sob intensos cuidados. No dia seguinte veio um avião de Brasília, mandado pelo Senado, para leva-lo a São Paulo, com todos os apetrechos de socorro médico. Mas seu estado era tão delicado que não pôde ser transportado. O avião retornou e, dias depois, veio outro para levá-lo.

Como tratava-se de uma informação de um único passarinho, não dei o crédito devido na hora. Ouvi, exclamei, mas fiquei com a pulga atrás da orelha – sempre pode ser contrainformação com motivação política, não é?  Ocorre que, logo depois, tive um encontro ocasional com outro passarinho, mas esse com ninho em casa de médico, que, não só confirmou como acrescentou que quando o Senador Lobão (o pai) soube do caso, teria ficado perplexo e teria se disposto a pagar.  Pediram dos médicos mais uma vez os relatórios das intervenções. Mas até agora, nada.

Quem ouviu deve lembrar-se do Senador Edinho Lobão em entrevista dizer que saía daquele acidente como um novo homem, com muito mais percepção do valor da vida e maior consciência de sua missão!  Algum inocente pode ter alimentado esperanças. Está desculpado. Sempre tendemos a acreditar que a experiência de ver a morte de frente impacta a vida. Pois é, se o novo homem é assim, imagina o velho! Do valor da vida, eu não sei, mas do dinheiro, esse, ao que parece, para o Senador, não mudou nada.  

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Palmada, salutar instrumento de regulação do clima familiar.



A propósito da Lei da Palmada Zero, mais uma lei-zero num país com sistema judiciário falido e instituições públicas desacreditadas, lembrei de um episódio que vivenciei anos atrás.  Conto.

No final de 2006 passei um mês hospedado na casa de um parceiro comercial, numa capital nordestina, participando de um treinamento. Convivi com a família (pai, mãe e três filhos) aqueles 30 dias e vi uma criança de 5 anos infernizar a vida de todos com suas birras. Era irritante. A mãe, católica fervorosa, diretora de uma ONG de adoção, era adepta da exclusividade da conversa como instrumento de educação. A cada crise de birra da menina a mãe punha-se em ação: conversava, conversava, explicava, explicava, botava de castigo, sentadinha numa cadeira por 5 minutos. Não se passavam 2 minutos, a criança, irrequieta, suplicava para sair do castigo. “Só se você pedir desculpas para a mamãe e prometer que não vai fazer mais isso”, respondia a mãe. A criança, imediatamente, com aquela vozinha de cortar o coração, respondia: “Disculpa, mamã... eu num faço mais”.  Pronto, fim do castigo. Mas aí, não demorava nem 5 minutos, a criança voltava a fazer a mesma coisa: teimosia e birra, implicância com os irmãos. Na hora do almoço, era um deus-nos-acuda. Uma hora derrubava os pratos da mesa, outra, virava a panela de feijão, ou tirava o pedaço de carne do prato do irmão, ou derrubava a jarra de suco. Exigia o lugar onde sentar, batia na mesa, gritava com os pais e os irmãos, esperneava, e por aí vai. Vocês sabem, com certeza já viram ou vivenciaram essas birras, aquela hora em que a criança pede pra apanhar, não sabem? (Ai, os sicólogos[1] e pedagogos de carteirinha vão tirar meu couro, vão sim! Vão me prender por tutela antecipada!  Calma, senhores, eu não tenho mais filhos pequenos!). Voltemos. A mãe, a essas alturas, diante de todo aquele desmantelo, estava já no limite. Já tinha falado todo aquele blá-blá-blá, gastado em vão sua verborreia. A menina, nem aí pra ela. Parece que não ouvia: entrava por um ouvido, saía pelo outro. Vocês sabem como é. A criança então corria da mãe para o pai (como elas sabem fazer esse jogo! Quem as ensinou?). A mãe, de longe, só olhava. O coitado do pai já sabia: tinha que dar apoio à mãe. Ele até que tentava: conversava, conversava, explicava, explicava, botava de castigo de novo. O processo se repetia “n” vezes ao logo do dia, todos os dias. Era um estresse quase insuportável. De vez em quando a criança se cansava e se aquietava. Mas, meia horinha depois, tudo de novo. E, assim, o dia inteiro. Uma sucessão de birra + sicologia burra + cadeirinha de castigo sem fim.

Certa noite, todos dormindo, estava eu no andar de baixo, sozinho, lendo. Vi o meu amigo descer as escadas. Sentou-se e perguntou: “Noto que você está incomodado com as birras da minha filha. O que você acha que podemos fazer?”. Levantei o rosto, olhei firme para ele, senti seu drama. “Aquilo ali é uma Bíblia, não é?”. “Sim”,  disse ele. “É da minha esposa”. “É uma bíblia católica, certo?” (sendo eu evangélico, esse era um ponto importante).  “Sim”.  “Então, pegue-a e abra em Provérbios 22:15”. Ele abriu e leu: “A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da correção a afugentará dela”. “Amanhã, experimente umas palmadas e veja como ela reage” – disse a ele.  “Não tenho coragem. Minha mulher me mataria”, respondeu.  Eu expliquei que, na minha modesta opinião, o sábio Salomão escrevera esse e outros versículos nessa linha porque conhecia o coração humano. Um conhecimento milenar. Ele sabia o quanto uma criança pequena pode ser capaz de manipular seus pais, coloca-los um contra o outro e disputar poder com eles. Uma criança não tem as qualificadoras mentais apropriadas ao debate, à discussão. Não tem as categorias cognitivas para entender explicações. Para elas, tem que ser sim, sim, não, não. Tem que obedecer e pronto. O argumento básico é “Por que mamãe não quer”. Mais tarde as explicações corretas virão naturalmente. Foi assim há milhares de anos. Ninguém morreu por causa de uma palmada, um beliscão, um puxão de orelhas. Não é queimar, quebrar o braço, vergastar, queimar com ferro, jogar água quente, humilhar, baixar a lenha... nada disso. Isso aí é crime e o ECA, como está, já tem providências.  Mas, quem foi pai de um birrento sabe muito bem que tem hora que a única linguagem que funciona é a da palmada, a da dor.

No dia seguinte meu amigo estava só. A esposa havia saído. A menininha começou sua rotina infernizadora. Lá vai ele, conversar. Conversa, conversa, conversa, explica, explica, explica...  eu só olhando, de esguelha. Bota ela de castigo por 5 minutos. Nem 1 minuto se passa e... tudo de novo.  De repente, plac, plac, plac!  Três palmadas boas no bumbum!  A menina ficou estupefata! Não chorou. Não fez nada. Apenas ficou olhando para ele, sem reação. “Papai falou, você não quis ouvir, não é? Agora vamos ver se você entende.”, disse ele. Foi uma manhã feliz, depois de dias!  Quietinha, num canto, a criança, dez minutinhos depois, estava brincando com suas bonecas, na maior alegria. Mas quando a mãe chegou, kabruummmm!  Ela correu, chorando e... “Mãe, papai me bateu, buáaaa, buáaaa, buáaaaa...” e foi aquele chororô.   “Pai, você bateu nela? Você teve coragem? Não acredito!”. Pronto! O tempo fechou. Pais em conflito. E eu me sentido um estorvo.

Hoje meu amigo mora fora do Brasil com sua família. Outro dia vi pela webcam sua filha, hoje uma jovem adolescente, muito bonita. Não sei como ela está, não perguntei. Pareceu ser uma boa menina, obediente. Mas, pergunto, teria que ser daquele jeito?  Umas boas palmadas teriam tornado a vida dessa família menos estressante e harmonizado a relação familiar com os irmãos. E não traria nenhuma consequência à vida adulta, como quase todos nós, filhos de uma geração que castigava, pode provar.  Sou capaz de afirmar que não existe hoje um adulto que tenha sido disciplinado por seus pais, da maneira correta, que reclame ou tenha traumas. Não falo dos que foram espancados com cordas, fios, cinturões, pedaços de pau, queimados com água quente, com pontas de cigarros, machucados com alicates, furados com agulhas, etc.

Minha tese final é esta: bata na criança e converse com o adolescente. Quem tenta conversar com a criança vai acabar tentando inocuamente bater no adolescente. A conversa com a criança é importante e necessária, sempre no nível que ela pode entender. Acima desse nível o argumento é “por que papai ou mamãe não quer” e pronto. E se chegar o ponto – e quase sempre chega, na maioria dos casos – uma palmada, um puxão de orelhas, um cocorote não fará mal a ninguém. Há filhos de boa índole que nunca precisaram de palmada. Que maravilha! Mas há aqueles, que o sábio Salomão chama de insensatos, estultos, que serão facilmente postos nos trilhos com umas boas palmadas em acréscimo às explicações e conversas.

Alguns conselhos do sábio Salomão, retirados do livro de Provérbios, da Bíblia cristã, para encerrar:

13.24   O que retém a vara aborrece a seu filho, mas o que o ama, cedo, o disciplina.
17.21   O filho estulto é tristeza para o pai, e o pai do insensato não se alegra.
17.25   O filho insensato é tristeza para o pai e amargura para quem o deu à luz.
19.13   O filho insensato é a desgraça do pai...
19.18   Castiga a teu filho, enquanto há esperança, mas não te excedas a ponto de matá-lo.
29.17   Corrige o teu filho, e te dará descanso, dará delícias à tua alma.


 [1] Brincadeirinha velha essa minha de bulir com os Psicólogos, retirando o “P”. É que eu li um tempo atrás, não sei mais onde, que as consoantes mudas passaram a ser de pronúncia opcional – ops, ocional. Assim, não me chamem de inorante por usar essa oção. 

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Palmada Zero – o país dos extremos.


Não houve debate. A discussão deu-se lá em cima. Uma imposição legislativa. Democracia dos iluminados. Desde que o presidente Lula mandou ao Congresso  o PL 7.672/2010 para alterar o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) com o objetivo de, sic, “estabelecer o direito da criança e do adolescente de serem educados e cuidados sem o uso de castigos corporais ou de tratamento cruel ou degradante”, os especialistas travaram uma batalha fácil. A mídia fez seu papel. O rolo compressor do “politicamente correto” trabalhou pouco: ninguém apareceu para ser triturado. Afinal, quem vai ser favorável à “violência” contra uma criança ou ao “tratamento cruel e degradante”?

Aqui é assim: 8 ou 80. No caso do álcool, adotamos um limite mais rígido do que na Europa e EUA, mas não fomos capazes de fiscalizar ou punir. A lei “quase”  seca não pegou. Então, agora vamos para a lei realmente seca, lei do Álcool Zero. Mas, de que adianta se temos um sistema jurídico falido?

No caso da violência domiciliar, já temos – dizem os especialistas – a lei mais avançada do mundo, o ECA. Mas, é pouco, pois não a cumprimos. Então, já que não fazemos o 8, vamos ao 80: para coibir os pais violentos (a minoria), vamos impor a restrição total à maioria: tolerância zero. Uma palmada, um cascudo, um cocorote, um puxão de orelhas, um simples beliscão. Nada, nada. Os iluminados, psicólogos, psicanalistas, educadores acadêmicos, muitos deles que nunca lidaram com uma criança teimosa e birrenta, diante da qual todas as teorias dos livros simplesmente desmoronam, estão radiantes, certamente sentindo-se a bala que matou Napoleão, por libertar as milhares de crianças brasileiras da ameaça de seus...  pais!  

Pois bem, se já somos incapazes de cumprir o ECA como está, seremos de cumpri-lo com essa adição? Está claro que essa será mais uma lei feita para não pegar. Uma lei feita em total desprezo ao que, suponho, pensa a maioria do povo brasileiro. Suponho, pois nenhuma pesquisa foi feita que seja do meu conhecimento. Vi o resultado de uma enquete pela internet, que não tem valor científico, mas dava conta de que 85% dos que responderam eram contra. Mas, pensando bem, perguntar pra quem? Será que o povo, esse povinho sem instrução, enraizado na cultura da violência, tem condições de contribuir para um debate “desse nível”?  Claro que não, dirão os especialistas iluminados.

O caminho mais fácil, proibir a disciplina física, é a saída para um estado incapaz de coibir o espancamento de crianças por parte de pais violentos. No que vai dar? Vamos pagar pra ver. Outro dia vi na TV uma matéria sobre um caso nos Estados Unidos: um pai condenado a não lembro quantos anos de prisão por bater em seu filho adolescente. O filho, de 12 anos, chorando no tribunal, clamando em favor do pai, dizendo ter merecido o castigo; os guardas tendo trabalho para desgrudá-los, pai e filho aos prantos, na hora da prisão. 

Levanto minha mão e digo: discordo de todos esses especialistas. Prefiro ficar com o sábio Salomão. Pronto, pode passar o rolo compressor sobre mim. Falei e falo: tá errado proibir os pais de dar palmadas nos filhos.